A vida é um pau de sebo com nota falsa na ponta?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Silêncio, parabéns!

O vento é o antagonista da madrugada.
Exibicionista, derruba as folhas velhas e frágeis das árvores para arrastá-las pelas ruas com o prepotente intuito de vencer o silêncio.
E o silêncio, é a companhia que eu procuro no fim da noite.
Ouço-o, reconheço-me! Neste encontro secreto, sou o que a luz do dia setenciou como meu avesso.
E a luz é pontual, sabe a hora certa de chegar no oeste. A luz é anunciada pelo vento que permanece com sua obsessão de triunfar sobre o silêncio, seu plano agora é acabar com a alvoradada, para isto, ele sopra ganancioso e muito rápido, a velocidade desmedida provoca um frio, o que permite, ironicamente, a soberania do silêncio.
E quando o vento não sabe mais o que fazer, o silêncio satisfeito, despede-se vitorioso, iluminado pela parte mais bonita do dia: o doce, fugaz e confuso, encontro do sol que chega e da lua que se vai.

É a poesia do universo se exibindo para quem possui a dádiva, a benção, o privilégio de amar e ser amado...
Vivenciando e eternizando a aurora!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Um pouco dela (3)

Versatilidades e vulnerabilidades se unem para formar seus gestos que buscam atrair e surpreender meus olhos.
Sutilezas e complexidades confundem-se na tentativa de mostrar o que você sente.
Seus pasmos e muxoxos se misturam pra revelar o ermo da carência clamando por nossos rituais.

Truques criados pelo coração despertam emoções apaixonadas. É o amor estabelecido em doces armadilhas. A expectativa é atendida com a lenta, fragmentada, ansiada, gradual e suave solidificação do sonho em realidade.

sábado, 29 de maio de 2010

Fragmentos de um sonho bom (parte 3)



“Exílios calados quimeras que exalam sós”

Uma névoa cinzenta é o que me rodeia.
E rodando, estupidamente... Você fez de mim uma estátua! Paraplégica.
Estou sem espaço e sem estômago. Olho pro espelho e não é o meu rosto que vejo.
Respiro com muita dificuldade, o poluído ar que me oferece: Angústia, ansiedade, aflições, dor, sofrimento, desespero, fracassos, frustrações, pânico! Insegurança Crônica.
Minha criatividade está hipnotizada, enganada, negligenciada, quebrada, estilhaçada... Por suas convicções inconsistentes, suas condutas imundas e seu entusiasmo carbonizado.
Meu crescimento está minguando, com as repetidas subtrações de beleza dos meus sonhos... Desconforto!
Minhas virtudes murcharam, minhas potencialidades e talentos estão presos na sua falta de gesto... Desorientação!

Sinto que sei que sou um tanto bem maior... Que você!

Você me faz mal, leva-me para lugares que não gosto, obriga-me a fazer o que não quero.
E Não quero... Que suas intenções distorcidas definam minha realidade e que minha história seja amarrada em suas limitações e em seus traumas. Não quero mais as sobras da sua natureza medíocre.
Na verdade eu queria nem ter precisado de você... Como eu queria!

“Os pecados do pai recaíram sobre os filhos” (Hamlet para Claudius)

Eu queria ter desfrutado do privilégio que é viver ao mesmo tempo a juventude e a liberdade.
Eu queria ter misturado os sonhos com as lembranças, verdadeiramente, dentro do que fui no instante do privilégio que não desfrutei.
Eu queria aprender a criar asas, me livrar das minhas marcas e ficar do tamanho que aquela música me faz imaginar que tenho.
Eu queria ter alcançado a condição na qual minhas ações fossem resultados das minhas escolhas.
Eu queria que as escolas fossem circos, com a intenção de unir e fazer todos brincarem de pensar.
Eu queria que as igrejas fossem saraus, com a intenção de unir e fazer todos pensarem em brincar.
Eu queria os palhaços no lugar dos bandidos. E ao invés de dinheiro, sonhos e vidas eles roubassem sorrisos, ofertando a alegria em poesia nas esquinas.
Eu queria...

“Que seja feito de acordo com sua fé” (Mateus 9:29)

Eu reflito sobre o que eu quero e queria. Enquanto você, nada!
A única coisa que saí da sua boca é: nada!
É muita lassitude, indolência, letargia... Acho que você morreu, só pode ter morrido! A névoa cinzenta está cheirando mal...
É a sua carne morta. É você em decomposição!
É tudo que eu odeio apodrecendo.... Tudo que trava meu caminhar e que toli meu desenvolvimento, desmanchando.
Vejo o horizonte menos embaçado, ainda não vejo meu rosto, mas vejo o alvo e o caminho...

“Se você sabe o porquê, pode suportar qualquer como” (Friedrich Nietzsche)

Vença o corpo, ele é a fronteira entre sua alma e o mundo.
Acabe com essa fronteira, rompa o limite que impede sua alma de entrar no mundo.
Seja um tanto bem maior! Não fique preso no corpo.
Seja alma! Uma alma incandescente e intrépida.
Quando nos descobrimos Alma, percebemos que a vida não pode prosseguir sem pretender ir ainda mais longe, mais alto...

Um brinde a resiliência!


"Despir nossa Alma e mostrar pra valer quem somos, o que trazemos por dentro. Não conheço strip-tease mais sedutor". (Martha Medeiros)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

seus olhos...

Retrovisores, _________________ faróis,
mostrando-me, _______________ guiando-me,
ao que passou ________________ pra ser amor.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Que seja brisa...

Entre palavras que aprendo e sentimentos que surgem... Vivo!
Entre lembranças de nós dois e as reminiscências do que fui antes de conhecê-la... Evoluo!
Entre paisagens gravadas na minha mente e detalhes que criei a mania de observar incessantemente... Sofro e existo!
Entre paixões, momentos, sorrisos, dores... Entre sonhos, caules, frutos, vontades, flores... Amo e cresço!

Entre você e mim, entra e saí amor! Formando ventos num ciclo inconstante e infinito. Ás vezes uiva como um lobo bobo ou como um inspirado cão. Outras vezes forte que até fura, jogando tudo pro alto como um impiedoso furacão. Em seus momentos de calmaria, sopra leve igual brisa, que nem fisga, não deixando pista e até pisca, quando de saída, desaparece incompreendida.

O amor é uma brisa charmosa. O amor é um imponente furacão! O amor é construído por nossos anseios, nossos pensamentos, nossos gestos, nossas lembranças, nossos jeitos de ser, nossas características particulares, nossos pontos de vista...
Construímos o amor dentro de nós a todo instante - confesso que dá medo do que é amor pra uns, ao mesmo tempo que emocionados admiramos o que é amor pra outros. Assim a vida acontece, sempre com amor envolvido, seja lá que "tipo" de amor. Podemos tentar falar de tudo sobre esse sentimento tão escorregadio, podemos tentar defini-lo de variadas formas, tentar...
O importante é que o amor nunca é morno. Ele é sempre forte ou fraco, nunca mais ou menos: uma brisa delicada ou um implacável furacão. Tanto um quanto o outro tem seus encantamentos, suas causas sempre subjetivas e seus efeitos sempre exagerados, dramáticos, neuróticos, mas necessários. Uma coisa é certa, por mais que tentamos, não conseguimos prever o amor: como se forma, de onde veio, se vai vir forte ou fraco, pra onde vai...

Pra saber (quando) ser furacão!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Deu um nó no peito.

Tentei descobrir o que era...
Ficando em silêncio!
Comecei a escutar um barulho dentro de mim.
Fechei os olhos e o barulho começou a aumentar...
Descobri que são meus desejos se organizando - me desorganizando - pra amá-la com a máxima urgência.


- A indisfarsável transparência dos seus sentimentos, desperta em mim a vontade de morrer, por não me sentir capaz de alcançar ao menos a reciprocidade.

domingo, 9 de maio de 2010

Gênese da intensidade.

O dia cinza pinta o interior da nossa casa, deixando-a com uma cor de descanso, de preguiça, principalmente quando esta é fruto do amor. E, aqui estamos, deitados. Olhos nos olhos....

É tão bom quando fazemos descobertas, quando amamos descobertos... Das roupas!

O edredom é a única coisa sobre a nossa pele. Lá fora a chuva caí em pingos finos e espassados. A força da "chuvinha" parece imitar o ritmo dos nossos carinhos. Ao pé do ouvido, você me revela algumas coisas que suas pernas, cintura e língua sabem. Depois solta um sorriso lascivo de uma forma especialmente inocente
(você tem o dom de misturar sentimentos antagônicos num gesto e deixar isso ficar magicamente belo. Sinto-me um privilegiado por testemunhar tanta beleza de uma só vez). A chuva começa a aumentar, nossos beijos também. Percebemos uma estranha e misteriosa ligação entre nossas carícias e a chuva.
Você, sempre espirituosa e voluntariosa, pede para que caia um dilúvio, e assim acontece!

Passamos, então, a nos beijarmos no ritmo da chuva, que agora é tempestade.
Penso nos poderes que você têm...
Na forma como mistura tudo.
Na facilidade encantadora com que transforma o impossível em possibilidades palpáveis.
E, assim, começo:
Minha bruxa, minha fada!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Um pouco dela (2)

Seus grandes olhos castanhos exprimem curiosidade e inocência.
Sua paixão impúdica contrasta com seu jeito delicado.
Dona de um charme insidioso, de um corpo adorável, de uma boca obscena de tão linda...
Suas contradições... Seus encantamentos.
Suas controvérsias... Minhas fascinações.
Nos seus delírios... Sou monstros e Deuses repetidamente.
Nas suas interjeições, hipérboles, paradoxos e paroxismos... Me perco, me encontro, me excito!
Surge, então, um sentimento atordoado de uma coisa muito bela.
Seria um prelúdio, ou uma quimera?

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O amor? É amar!

- Amor... Quem é você?
- Sou uma mistura da loucura com o errado no molho fervendo - com as mais diversas emoções - da incompreensão.

- E você, Amar, é quem?
- Sou absurdamente paciente, incompreensivelmente espirituoso e infinitamente entusiasmado.
Mas aqui, Amor, e a Dor, o que ela é?

- Amar, você é des(espera)dor! Você é pra quem espera a dor!
- E você, Amor, é pra quem?
- Eu sou pra quem sabe que a dor é imortal, pra quem gosta das implicações e dos efeitos da dor.
- Amor, Então nós existimos pra quem espera a dor ir e vir, entrar e sair, acordar e dormir... Fomos feitos pra quem gosta da dor?
- Amar, somos um descanso - com dor - da dor.
- Amor, porquê você não larga a dor?
- Pelo simples fato que é a dor que me alarga e me alaga dentro de você.

A dor, alaga e alarga o amor dentro do amar.
A Dor, não é apenas uma rima do amor. Ela é o próprio Amor!
Mas... Mesmo assim... E talvez por isso, ame!
Ame o amar com amor.
E com dor... Sempre!



"A felicidade é amor, só isto.
Feliz é quem sabe amar. Feliz é quem pode amar muito.
Mas amar e desejar não é a mesma coisa.
O amor é o desejo que atingiu a sabedoria.
O amor não quer possuir.
O amor quer somente amar". Hermann Hesse.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Aforismo (2).

É preciso ter cuidado com o que houve...
Conosco no minuto anterior e com o que existe em nós no instante agora.
É preciso ter cuidado com o que ouve...
Com o que ouvimos: da alma, do inconsciente, do consciente, do coração...

E, ignorar, as inúmeras picardias dos bilhões de sádicos que infelizmente nos cercam e sobrevivem nesse mundo, desonrando o universo com a sua existência.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

No silêncio...

Minha terapia!
Um delicado strip-tease da minha essência.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Vou...

Sempre choro no terreno dos sonhos.
E este choro, ocorre alguns minutos antes de acordar.

No terreno dos sonhos...

Recebo bons sentimentos como banquete,
Pego os maus sentimentos como sorvete.
A paz faz de mim seu joguete.
Pra eu ser da felicidade, um bilhete.
E do amor, inteiro e completo filete.

Sempre chorei no terreno dos sonhos... Por não querer sair dele!
Sempre sorri na realidade do mundo... Por saber que vou sair dela.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Pra você tempo.

O tempo é cruel, manipulador, egoísta, obsessivo, sádico, ignóbil, pérfido...
(ficaria xingando esse tirano imbecil infinitamente...)


Ele tem como hobby atropelar-nos, para impor em nossas vidas experiências que não autorizamos.
Precisamos ser carne, osso, movimento, cor, som, imagem... Dos nossos sonhos, cotidianamente.

Quer lidar bem com o tempo?
Então inicie experiências, participe efetivamente delas e não seja vítima das mesmas.
Temos que ser marionetes dos nossos sonhos, só assim conseguimos nos livrar dos cordéis por onde o tempo nos conduz como reles títeres à tristeza, amargura e frustração.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Aforismo.

Busque influências...
Seja uma influência!
O influente é fluente com sua fluência e prudente com a influência que exerce.
Em vão, não dá com a língua nos dentes, por isso flui, pensa, faz, aprende, cresce.
O influente prudente, influencia e novamente silencia. Com orgulho!
Pois, é em silêncio, que o feliz influente ensina a fazer barulho.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Fragmentos de um sonho bom (parte 2)



Sinto contrações, sinto enjoos, Sinto desejos, sinto algo mexendo dentro de mim; chutando meu estômago, cutucando meu coração... Escuto vozes:
“Misture, desfrute, esfarele...”
Sinto que só atraímos o que desejamos e concebo isso como uma verdade absoluta.

Sinto dores na cabeça, no peito, nas pernas... Minhas pernas estão pesadas. Sinto-me inchada, mais uma vez enjoada, e as vozes... Volto a escutá-las:
“Pegue o pedaço, jogue, seja, alto, maior...”
Nossas emoções motivam dores por nossos corpos. Podemos sentir a dor que quisermos deixar as emoções provocarem.


Minha bolsa se rompeu! Minha honra... Foi estourada e pisoteada.
Estou grávida... Perdida, usada, jogada, ignorada, humilhada, abusada, observada... Como diferente, como doente. Falo baixinho que gravidez não é doença, pois, estou fraca, exausta e com muitas dores, mas ninguém me ouve. Esforço-me absurdamente e a voz não saí! Então, choro mais uma vez, só que desta feita sem lágrimas. Eu sequei todas que caíram. Eu sequei! Eu estou seca. Eu sou cerca! Eu fui cerca que por muitos anos separou o bem e o mal, o certo e o errado, o bonito e o feio, a regra e a exceção... E sem perceber fiquei cercada. Estou cercada e nem sei desde quando. To afogando... Em agonias! A dor aumenta. Preciso parir!
Este parto que está prestes a acontecer está me partindo em pequenos pedaços por dentro, e a cada novo pedaço partido este é virado ao avesso.

O que era invertido está sendo revertido.

Dói muito... Gritos sem som... Dói muito... Cortes profundos...

Ossos, cartilagens, juntas, músculos, nervos, células, tecidos...
Tudo sendo revirado, quebrado, cortado, recolocado por não ter sido.

Estou parindo sozinha, sem companhia, sem anestesia, com poesia!
Sinto como se fosse um banho por dentro.
Pra lavar a alma que em algum momento,
Caiu em uma latrina.

- Quando eu estiver com a criança abraçada a mim, direi a ela seu nome. Sendo menina ou menino chamará: um motivo pra viver de novo.

- Ah... Esqueci de dizer meu nome. Na verdade eu não tenho nome. Mas, costumam chamar-me de: vontade de viver.

Ressuscite! Enfrente as dores de renovar-se...
Faça habitualmente um “checap” em sua vontade de viver.
Não deixe que ela adoeça, fique estéril ou morra com um filho na barriga.

Um brinde a coragem...